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:: 20/dez/2015 . 17:12

Fiscalização ambiental interrompe furto de madeira em Terras Indígenas de Mato Grosso

madeira

Dentro da Operação Onda Verde, no final do mês de novembro, foram realizadas ações de fiscalização em terras indígenas do noroeste mato-grossense, combatendo ilícitos ambientais como desmatamento e furto de madeira. As ações foram executadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em conjunto com a Fundação Nacional do Índio (Funai), com a Força Nacional de Segurança Pública e com o Batalhão da Polícia Ambiental, nas Terras Indígenas Manoki, município de Brasnorte, e Kawahiva do Rio Pardo, município de Colniza, distantes 580 e 1060 km de Cuiabá.

Uma ação ocorreu no interior da Terra Indígena Manoki, da etnia Irantxe, entre os dias 23 e 24 de novembro. A fiscalização ambiental se deparou com uma grande área de extração ilegal de madeira. Os infratores se evadiram do local e abandonaram nas áreas de exploração dois tratores, uma caminhonete e uma motocicleta. Foi localizado um acampamento no meio da floresta com produtos alimentícios e equipamentos para permanência no mato, como colchões, redes, vestuários, fogão e utensílios de cozinha.

Parte da equipe se deslocou até a aldeia indígena Irantxe mais próxima na busca de apoio para a retirada dos maquinários. O cacique e mais um indígena acompanhou a equipe até o local e cooperou na execução dos trabalhos.

Devido as péssimas condições dos tratores antigos, com equipamentos de segurança avariados, com ausência de luzes de sinalização, sem frenagem e oferendo riscos de acidente aos operadores, a equipe decidiu pela inutilização dos dois maquinários com uso de fogo. A caminhonete e a motocicleta foram apreendidas e retiradas do local, sendo depositadas na associação dos índios Irantxe. O acampamento foi destruído para dificultar a permanência dos invasores.

A Terra Indígena Manoki teve seus limites definidos em agosto de 2008, pelo Ministério da Justiça, e posteriormente foi demarcada pela Funai. Está localizada no município de Brasnorte, em região de expansão de lavouras agrícolas de grande porte, inclusive em seu interior. Devido a demora no processo de retirada dos ocupantes não índios, as atividades agropecuárias continuam sendo exercidas no interior da terra indígena. Mas o mais grave é o roubo de madeiras, principalmente por quadrilhas dos municípios de Nova Maringá/ MT e Brasnorte/ MT, ocasionando a dilapidação das matas nativas, o que pode comprometer a sobrevivência da população indígena do local.

Índios querem água limpa

indio na beira do rio

Bacia do Rio Doce, atingida pela lama que vazou da Barragem do Fundão

Resplendor – Os indígenas da etnia Krenak possuem uma relação ancestral com a terra e lamentam a situação do Rio Doce – o Watu, no idioma nativo. Na Reserva Krenak em Resplendor, no Vale do Rio Doce, Apurinã Krenak, de 31 anos, diz que não perde a esperança de ver o rio com vida novamente, porém, lamenta a falta de informação: “Queria uma resposta certa sobre a qualidade da água, mas, mesmo que falem que não tem problema, eu não tenho coragem de ir lá e pescar para comer”.

Apurinã já viveu fora da reserva, quando morou em Espera Feliz e trabalhou como representante comercial da Coca-Cola, mas voltou para a terra natal e busca preservar a cultura de sua etnia, dominando o idioma nativo e costumes como a pesca e a caça de capivaras e pacas. Ele, que é motorista da unidade de saúde da aldeia, explica que não há mais como caçar. “Íamos até a ilha, levávamos cachorros que espantavam as capivaras e pacas para o rio. Na água, conseguíamos pegá-las com lanças e flechas”, descreve. Agora, a água está tão suja que é impossível ver qualquer animal nadando. Outra observação de Apurinã é que muitas aves que chocavam na ilha no mês de dezembro não fizeram ninhos no local.

Os Krenak são os últimos botocudos do Leste, nome atribuído pelos portugueses no final do século 18 aos grupos que usavam botoques auriculares e labiais. Os botocudos ocupavam uma área extensa que englobava o Oeste do Espírito Santo, o Leste de Minas Gerais e o extremo sul da Bahia. Em 1808, duas cartas régias foram expedidas declarando guerra aos botocudos. Várias juntas militares foram criadas, assim como quartéis, destacamentos e divisões militares, que deram origem às cidades do Vale do Rio Doce.

Séculos depois da guerra em que foram quase devastados, a morte, ou kuen, em Krenak, voltou a ser uma palavra presente no cotidiano. Apurinã perdeu duas vacas, que beberam água do rio logo após a lama passar e não resistiram. “Demorou 15 dias depois do rompimento da barragem para a lama passar aqui. Todo dia íamos para a beira do rio e ficávamos esperando ela chegar. Um amigo disse que a cena era igual aos familiares de um morto esperando o corpo chegar para o velório”, compara. *Daniel Camargos



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