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Migração espontânea constante dos povos indígenas é                                                          um dos empecilhos para a construção de escolas

RIO BRANCO – Uma comissão dos povos indígenas Yawanawá esteve reunida nesta semana com o secretário de Estado de Educação e Esporte do Acre, Marco Brandão, com o pedido de que o governo intervenha com melhorias na infraestrutura escolar de suas terras. São 190 mil hectares, às margens do Rio Gregório, em Tarauacá (a 400 quilômetros de Rio Branco).

Um segundo fator é a construção de mais escolas em aldeias que surgem com a migração natural. “Nosso povo tem a memória falada. Tem oralidade, mas não pode mais viver sem a escrita, porque corremos o risco de perder registros importantes de nossa cultura”, ponderou o professor Inácio Yawanawá, da Aldeia Amparo, ao observar que uma leva de seu povo migra para outras áreas.

Para o secretário Marco Brandão, a questão é complexa e perpassa pela migração espontânea dos povos indígenas. “Por mais que tenham criado novas aldeias, leva tempo para criar uma infraestrutura. Tem toda uma burocracia que depende de recursos federais”, explicou Brandão.

De 2011 até agora, o governo do Estado construiu quase 70 escolas indígenas. “Mas também foi o período que mais se registrou movimentação espontânea. A mudança da população indígena de um lugar para outro implica também tempo necessário para a construção de novas escolas”, ressaltou o secretário.

No encontro, que contou com a presença também do antropólogo na Comissão de Assuntos Indígenas, Marcelo Piedrafita Iglesias, ficou acertado que o povo Yawanawá vai auxiliar no mapeamento das demandas, o que inclui o número de estudantes e de aldeias que precisam de escolas. A ideia é que o governo possa fazer gestões junto ao governo federal no sentido de obter novos recursos para investir no setor.

“Tivemos casos de estabelecimentos novinhos serem deixados para trás, de modo que nessa questão temos dois fatores diferentes influenciando no processo educacional indígena: o primeiro é que o povo gosta de migrar, e o outro é a capacidade do governo do Estado de acompanhar esse processo de migração”, afirma Brandão.