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Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga o Conselho Missionário Indigenista realizou hoje a última oitiva antes de apresentar o relatório final

Wanderley Dias Cardoso é doutor em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e mora em Aquidauana. Ele reside tanto na cidade como na Aldeia Limão Verde, onde nasceu e explicou que leciona na cidade e na aldeia e por isso tem as duas moradias. Contou também que já trabalhou na Fundação Nacional do Índio (Funai) e é ex-trabalhador dos canaviais e cafezais. “Quando eu trabalhei na Funai eu percebi uma força política muito grande não só no Mato Grosso do Sul, mas no Brasil do Cimi”, declarou o professor.

E ainda falou da importância e como se dá a escolha dos caciques nas aldeias. “O cacique é a autoridade máxima dentro da aldeia, o mandato varia de três a quatro anos, dependendo da aldeia. Ele é escolhido pela comunidade indígena. Índio sai da aldeia, usa cocar e é visto como liderança, mas liderança para os terenas é quando ele….

é eleito cacique”, afirmou Wanderley.

E também avaliou como grave a criação do Conselho Terena. “A criação do Conselho Terena  no sentido de representar uma minoria porque ele não representa os 44 caciques”, constatou o professor. Quando questionado sobre quem financia o conselho, “não sei quem financia o Conselho Terena”, disse. E quando foi questionado a partir da sua vivencia dentro das aldeias, se Cimi faz distinção entres as comunidades  indígenas “sim claramente fazem”, respondeu o depoente.

Wanderley mostrou aos membros da Comissão um documento que o Conselho Terena faz e que diz quem é índio e quem não é. Um documento que garante sua origem, de que aldeia o índio pertence. Diante do documento apresentado ao grupo de trabalho da CPI o professor questionou como que o Conselho Terena pode saber de que aldeia o índio é e se realmente mora na aldeia que consta no documento, porque temos muito mais etnias que a terena.

A Comissão é composta pela presidente deputada Mara Caseiro (PSDB), vice-presidente, deputado Marquinhos Trad (PSD) e o relator deputado Paulo Corrêa (PR). Ainda são membros os deputados Onevan de Matos (PSDB) e Pedro Kemp (PT). Amanhã após a sessão plenária o grupo de trabalho da CPI fará a abertura dos envelopes com as atas das sessões secretas para leitura.

Contribuição – Durante a oitiva a cacique da Aldeia Urbana Marçal de Souza que fica em Campo Grande, Enir da Silva Bezerra que estava no Plenário acompanhando a oitiva solicitou aos membros da Comissão para fazer uma contribuição. Ela foi convocada para depor, mas por orientações médicas e por sua saúde inspirar cuidados não pôde prestar esclarecimentos para a Comissão.

Ela declarou que de 1987 pra cá ela está ativamente envolvida com as questões indígenas e por sua experiência que estava falando. “Eu sou muito isso, se eu falo, eu afirmo não tenho meias verdades. Eu já participei de muitas assembleias do Conselho Terena e quem conduziu a fundação do conselho foi o Paulo do Cimi. O povo terena tinha a vontade de ter uma organização forte, e por isso criou o Conselho”, alertou.

E ainda ressaltou “eu assisti muitas coisas nesta vida, e pra entender muitas das coisas, como índia que sou, não vou falar que o Cimi é culpado, mas as organizações sim. Não vou afirmar ou dizer que o Cimi é o culpado de tudo. Eu vejo que tudo que está surgindo me dá a impressão que enfraquece a luta indígena, que desfia a nossa luta. E baseado no meu conhecimento, o que é necessário resgate. Meu desejo é de paz e não sermos usados pelas organizações”, desabafou Enir.

Solicitação – A Comissão recebeu um requerimento do advogado do Cimi, Luiz Henrique Eloy que solicitou cópia integral de todo o processo da CPI, bem como, as notas taquigráficas e gravações das reuniões.