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No mês em que as mulheres são homenageadas, e que chega ao fim neste sábado, 31, muitas foram as histórias de lutas, conquistas, persistência e vontade de vencer. Reunindo todos esses substantivos a cantora Dani Miranda traz na mente e no corpo as marcas que a vida lhe imprimiu.

Dani Miranda, nasceu Yanomy Nakuxy, em 14 de maio de 1970 em uma aldeia yanomami, no Amapá. Aos 15 anos de idade ela foi registrada e passou a ser identificada como Daniele Duarte Ferreira Alves, depois de ser adotada pela antropóloga americanense Helena Duarte Alves. Viveu dois anos em um colégio interno no Rio de Janeiro e, após aprender a se comunicar, veio para Americana, onde atualmente trabalha em uma tecelagem, faz faculdade de serviço social, é voluntária em uma instituição que acolhe crianças em situação de risco e batalha para lançar seu segundo CD.

Desde o seu nascimento até os dias atuais, a vida da índia cantora tem sido de lutas. Ela nasceu gêmea com um irmão e, pela tradição yanomami, no caso de nascimento de gêmeos, um tem de ser sacrificado para que não roube a alma do outro. Como nasceu um casal, o menino tem a preferência à vida, pois pode se tornar um guerreiro. “Se são crianças do mesmo sexo, a escolha é aleatória”, explica Dani.

A recém-nascida foi entregue à avó materna, Jeayrandy, para ser enterrada ou jogada nas águas do rio. A índia, no entanto, não teve coragem de seguir a tradição e o sentimento de avó falou mais alto. A pequena foi levada para junto dos curumins (crianças indígenas) e foi criada longe da família. Para não atrair a atenção da tribo, a avó de Dani a criou como sendo um menino.

“As crianças não perceberam nada porque usávamos um tapa-sexo e minha avó mantinha meus cabelos cortados”, revela. Dani conta que semanalmente a avó lhe levava às margens do rio São Gabriel do Cachoeira na esperança de que conseguisse alguém para adotá-la e levá-la da tribo.

Em uma dessas tentativas, o destino de Dani se cruzou com o da antropóloga Helena Duarte que fazia ume estudo sobre os povos indígenas daquela região. “Eu era um verdadeiro bicho do mato, com medo das pessoas e de tudo, ai chamei a atenção da Helena”, conta. Depois de ouvir a história da indiazinha, a antropóloga decidiu levá-la consigo. “Ela me levou para Porto Velho (RO) onde me registrou e depois me deixou em um colégio interno no Rio de Janeiro durante dois anos, pois eu precisava aprender a falar”, conta.

Depois do primeiro contato com a ‘civilização’, Daniele foi, finalmente, levada para Americana, onde vive até hoje. Depois da morte da mãe adotiva, ela mora com uma irmã, trabalha em uma tecelagem e pretende se formar em assistente social. Paralelo à vida profissional e universitária, Dani mantém a de compositora e cantora.