Apresentação do grupo de danças, com coreografia de guerra, cantada na língua caingangue, foi um dos pontos altos da programação

Indígenas da aldeia Foxá, de Lajeado, ocuparam o espaço comumente utilizado por vereadores e demais autoridades, no plenário da Câmara de Vereadores, ontem, para partilhar conhecimento, com estudantes da rede municipal de ensino. “Nos traz felicidade estar aqui, apresentar a nossa família para vocês”, disse o cacique da tribo caingangue, Vicente Garcia. “Temos diferenças na cultura e nos costumes, mas somos todos iguais”, ressaltou.

Organizado pela Secretaria Municipal de Educação, o evento reforçou as ações de capacitação para o trabalho da história indígena em sala de aula, preconizado por lei. Para a professora Silvania Carvalho, assessora da cultura afro e indígena na secretaria, atividades como a realizada ontem contribuem para a construção de uma nova história, para além dos registros oficiais nos livros.

Cacique Vicente Garcia falou sobre o cotidiano na aldeia indígena

Foto: Juliana Bencke

“Temos o dever de resgatar a história dos indígenas, não só porque tem uma lei que prevê isso, mas porque nosso país tem uma dívida muito grande com eles. Precisamos valorizar esse povo, que já vivia no Brasil há muito tempo e ficou à margem da sociedade”, enfatizou.

 

/ Folha do MateCacique Vicente Garcia falou sobre o cotidiano na aldeia indígena

 

Além de assistirem à explanação do cacique e à apresentação do grupo de danças da aldeia Foxá, professores e alunos de 8º e 9º ano do ensino fundamental, que lotaram o plenário, puderam fazer perguntas sobre o cotidiano dos caingangues. Aspectos como vestimentas, idioma, estudos e casamentos indígenas foram abordados pelos caingangues.

 

“No dia a dia, dentro da aldeia, nos vestimos normalmente. Só utilizamos roupas típicas e pinturas em apresentações, atividades especiais ou em protestos”, explicou a coordenadora do grupo de danças, Jaqueline Vergueiro, 19 anos.

 

Ela, que frequenta a Educação de Jovens e Adultos (EJA) em uma escola regular de Lajeado, e também atua como agente de saúde na aldeia indígena, destaca a importância de eventos de integração. “Isso dá mais força para nós, para mostrar que no Brasil existem índios e apresentar a nossa cultura. Estávamos esperando muito esse evento”, comentou.

 

Valorização

 

Na opinião do professor de História e Geografia Jéferson Berwanger, da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Coronel Thomaz Pereira, conhecer a cultura e a história indígena é fundamental. “Atividades assim são extremamente importantes. Os alunos podem vivenciar, aprender e valorizar os índios. Podemos sair dos livros e da televisão e ir para a realidade. Acredito que orgulho é a palavra que melhor define esse momento”, salientou.

 

>> A aldeia Foxá está localizada no bairro Jardim do Cedro, em Lajeado, e conta com cerca de 20 famílias e em torno de cem pessoas. Na língua caingangue, foxá significa cedro.

Crianças e jovens da tribo caingangue apresentaram coreografia passada pelas gerações.

Sobre o evento

A programação com os indígenas ocorreu durante a manhã e a tarde, na Câmara de Vereadores, e contou com atividades de integração nas escolas, que promoveram almoços com os indígenas. Um dos momentos de maior destaque, no evento, foi a apresentação do grupo de danças da aldeia, formado por 24 crianças e jovens.

 

Segundo a coordenadora do grupo, Jaqueline Vergueiro, a coreografia apresentada é uma dança de guerra, repassada por gerações, com música de ‘conquista’, na língua caingangue, e retrata aspectos como a destruição da natureza, pelos ‘brancos’. Escolas ou entidades interessadas em visitar a Aldeia Foxá ou convidar o grupo de danças da aldeia para atividades podem contatar com Jaqueline, pelo telefone 99943 9945.