Terra Indígena Jurubaxi-Téa foi reconhecida como território tradicional indígena em setembro de 2017 — Foto: Camila Sobral Barra/ISA

Um índio da etnia Baré foi baleado, nesta sexta-feira (16), dentro de uma terra indígena localizada no município de Santa Isabel do Rio Negro, localizado a cerca de 630 km de Manaus. O caso aconteceu após um grupo de moradores da região confrontar integrantes de uma excursão de pesca esportiva por adentrar a área sem autorização. O disparo que atingiu o índio Arlindo Nogueira partiu de um policial do município.

O caso aconteceu na Terra JurubaxiTéa, região habitada por dez etnias diferentes. A área é protegida por recomendação do Ministério Público Federal e foi reconhecida como território tradicional indígena em setembro do ano passado. Nesta sexta-feira, uma embarcação da empresa Amazon Sport Fishing levou turistas para pescar no local.

 

Ao notar a presença dos pescadores, índios abordaram o barco para conversar com os tripulantes. Segundo Marivelton Barroso, presidente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn ), policiais que acompanhavam tripulantes da embarcação dispararam tiros contra os índios. Um deles, Arlindo Nogueira, foi baleado no braço e será encaminhado para uma unidade hospitalar em Manaus.

Sede da Foirn em São Gabriel da Cachoeira — Foto: Lindon Jonhson/Rede Amazônica

O diretor da Foirn disse que, na manhã deste sábado (17), foi à delegacia de Santa Isabel do Rio Negro para acompanhar o caso.

O diretor operacional da Amazon Sport Fishing, Daniel Napoli, em conversa com o G1, afirmou que a ocorrência aconteceu pouco tempo após “comunitários” roubarem um dos barcos de pescas do grupo. Segundo ele, ao perceber a ação, o responsável pela excursão foi à delegacia do município pedir reforço policial. Daniel afirmou, também, que a Amazon Sport fishing atua na região há cerca de dez anos e tem autorização da Prefeitura de Santa Isabel para realizar pesca no território.

 

“Nós temos autorização da prefeitura para pescar naquela área. Nos é cobrada uma taxa de R$ 250 por pescador na região. Ontem, pelo que sei da situação, é que nossa embarcação foi abordada pelos comunitários. Entramos [na região] com um barco-hotel que reboca seis barcos de pesca. Eles [indígenas] cortaram a corda e levaram um dos nossos barcos. o responsável pela embarcação pediu ajuda da polícia local para fazer a diligência”, comenta Daniel, que não está no Amazonas.

 

Determinação judicial

A justiça acatou o pedido do MPF e deferiu o envio de forças de segurança do Exército, Polícia Federal e Polícia Militar no prazo de 24 horas. Em pedido, o Ministério Público pediu, ainda, que os policiais envolvidos no caso e representantes da empresa Amazon Sport Fishing se abstenham de entrar na referida terra indígena e também na área de proteção ambiental Tapuruquara, até que os fatos sejam esclarecidos

 

As medidas foram determinadas para assegurar “a ordem, a integridade física dos indigenas envolvidos e moradores do município, bem como o regular andamento da investigação por autorídade federal competente e sem impedimentos”.

 

Reforço na segurança

A partir da decisão, o MPF articulou ainda a ida da Corregedoria da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e de uma equipe da Polícia Federal até o município para acompanhar as apurações necessárias.

 

O secretário de Estado de Segurança Pública, coronel Amadeu Soares, determinou que uma equipe de policiais civis, coordenada pelo delegado Henrique Brasil, titular do Departamento de Polícia do Interior (DPI), junto com o coronel Hidelberto Barros, titular da Corregedoria Geral do Sistema de Segurança e policiais militares se desloquem ao local para apurar o caso.

Fonte:  Eliana Nascimento e Isabella Pina*, G1 AM