Indígenas dos povos Tenharin, Jiahui, Miranhã, Juma, Mura, Pirahã, Uru Eu Wau Wau e Karitiana participaram da conferência local do Polo Base de Humaitá. Foto: Cimi regional Rondônia

Indígenas, entidades indigenistas e órgãos do governo que participaram da 6a Conferencia Local de Saúde Indígena do Polo Base de Humaitá, no Amazonas, divulgaram um documento com reivindicações e em defesa dos direitos indígenas. A Conferência ocorreu na Terra Indígena (TI) Tenharin Marmelos, no município de Humaitá (AM), entre 17 e 19 de novembro.

Participaram indígenas dos povos indígena Tenharin, Jiahui, Miranhã, Juma, Mura, Pirahã, Uru Eu Wau Wau e Karitiana, que também manifestam, no documento, repúdio às manifestações do futuro presidente Jair Bolsonaro, cujas posições colocam em risco “a integridade física, cultural e territorial dos povos indígenas do Brasil”.

 

Confira na íntegra:

 

MENSAGEM FINAL
6A CONFERÊNCIA LOCAL DE SAÚDE INDIGENA – POLO BASE DE HUMAITÁ/AM

Nós, povos indígena Tenharin, Jiahui, Miranhã, Juma, Mura, Pirahã, Uru Eu Wau Wau e  Karitiana, entidades indigenistas não governamentais e órgãos do governo presentes na 6a Conferencia Local de Saúde Indígena – Polo Base De Humaitá, TI Tenharin Marmelos, Município de Humaitá/AM, nos dias 17 a 19 de novembro de 2018, vem a público manifestar que neste momento a conjuntura politica indigenista brasileira, coloca em risco os direitos dos povos indígenas conquistados e garantidos na Constituição Federal de 1988.

Manifestamos nosso repúdio à posição do presidente Jair Bolsonaro que repetidamente tem se pronunciado publicamente contrário aos direitos territoriais, colocando em risco a integridade física, cultural e territorial dos povos indígenas do Brasil.

Nesta Conferência reafirmamos que lutaremos para a manutenção dos Direitos Indígenas, garantidos na Constituição Federal de 1988 e na Convenção 169 da OIT, a:

  • Garantir ao atendimento específico e diferenciado a saúde indígena;
  • Garantia de contratação de profissionais indígenas e não indígenas de saúde para atender as demandas nas aldeias e na cidade;
  • Garantia da demarcação dos territórios dos povos indígenas do Brasil;
  • Garantia a proteção das terras indígenas;
  • Retirada de todos os invasores das terras indígenas;
  • Proteção e levantamento dos territórios dos indígenas isolados, devendo a FUNAI reativar as Frente de Proteção Etnoambientais;
  • A não construção da Hidreletrica de Tabajara, que impacta diretamente as T. I. Tenharin, Jiahui, Igarapé Lourdes e os povos isolados;

Continuaremos lutando por saúde diferenciada, territórios demarcados, pela não criminalização política do povo Tenharin e por todos nossos direitos garantidos constitucionalmente.

Fonte: ASCOM/CIMI