O Cacique Baba da Aldeia Tupinambá da Serra do Padeiro, foi o conferencista que fez a abertura do evento. Foto: Divulgação.

O Congresso da Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB) aconteceu pela primeira vez em Pelotas, de (4 a 8/10). A vigésima edição do evento teve como tema Memória, Patrimônio Cultural e Direitos Humanos e recebeu líderes indígenas e quilombolas que promoveram a troca de saberes e fazeres com a academia.

Na abertura do evento, o conferencista foi o Cacique Babau, da Aldeia Tupinambá da Serra do Padeiro que coordena o Mupoiba. Já na primeira mesa redonda do evento participaram o presidente da Associação Indígena Tupinambá da Serra do Padeiro, Agnaldo Francisco HãHãHãe, a líder indígena do povo Terena do Mato Grosso do Sul, professora Linda Terena, e o professor quilombola João Heitor Silva Macedo. Entre os temas abordado foram os direitos humanos das comunidades tradicionais e a luta dos povos indígenas pelos seus territórios.

O Congresso

O evento é bianual e é realizado sempre na instituição de origem do presidente da SAB que, atualmente, é o professor do Departamento de Antropologia e Arqueologia da UFPel, Jorge Eremites de Oliveira. Em torno de 500 pessoas participaram do evento, com representantes de todos os estados do País, além de representantes do exterior. Em torno de 300 pesquisas e projetos foram apresentados entre as diversas atividades que ocorreram.

sab quilombo

Para o presidente da SAB, Jorge Eremites de Oliveira, o fato de arqueólogas e arqueólogos trabalharem com vestígios, não exclui a possibilidade de trabalharem com as pessoas. “O tema do evento quer chamou a atenção dos profissionais para a responsabilidade política e social do nosso trabalho, principalmente neste momento difícil que estamos vivendo, de violação de direitos dos povos indígenas e quilombolas e de destruição do meio ambiente”, disse.

O presidente da Associação Indígena Tupinambá da Serra do Padeiro, Agnaldo Francisco HãHãHãe, participou do evento.

No mesmo sentido, o professor da Universidade Federal do Piauí, Ângelo Corrêa, que integrou a Comissão organizadora do evento, ressaltou a importância de dar espaço para líderes e integrantes das etnias. “Na arqueologia temos a oportunidade de recuperar muitas informações sobre estas populações, mas não queremos ter a oportunidade apenas de falar sobre estes povos, queremos dar oportunidade para que eles falem”, explicou.