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“É uma participação pequena, nossa representação política ainda é muito elitista, com pouco espaço para mulheres, negros e, ainda mais, indígenas”, observa o professor de ciência política Carlos Ranulfo, da UFMG, que destaca a presença marcante da deputada federal Joenia Wapichana (Rede-RR) como representante indígena no Congresso Nacional.

Em São João das Missões, Jair Xakriabá disputa a prefeitura pela segunda vez consecutiva. “Eu sou educador e fui diretor de escola durante quatro anos, em que consegui fazer muitas coisas”, explica ele, que tem como inspiração seu tio, o cacique Rodrigo Gomes de Oliveira. “Era um líder bastante atuante pela demarcação dos territórios Xakriabá”, diz, em referência à homologação das terras, em 1989, antes mesmo da constituição da cidade de São João das Missões, que só foi desmembrada do município de Itacarambi em 1995.

Independentemente de quem for eleito no município, a prefeitura contará com uma representação indígena. O atual prefeito e postulante à reeleição, Zé Nunes (PT), também pertence aos Xakriabá, mas se declara pardo no registro eleitoral. Eles repetirão a disputa de 2016, quando uma diferença de 426 votos – dos 7.347 eleitores que compareceram – definiu o resultado.

Além dos dois, há um terceiro concorrente este ano. Na chapa de Marquinhos Mota (PP), a representatividade Xakriabá está no vice, Toninho do Peruaçu. “Nosso objetivo é trabalhar para o desenvolvimento do município, assumir as demandas e, com os recursos que tivermos, atender a todos, com boa vontade e respeitando a diversidade”, diz Toninho.

Fora do pleito pelo Executivo, outros dois indígenas estão entre os 58 nomes na disputa pelas nove cadeiras da Câmara Municipal.
Além de Toninho do Peruaçu, entre os candidatos a vice em Minas há mais dois nomes de origem indígena, da etnia Maxakali. Apesar de viverem em aldeias diferentes, Margarida Maxakali e Maria Diva Maxakali são irmãs e compõem as chapas, respectivamente, de Marcus de Zé Wilson (Avante) e Ilvania Duarte (PSDB) para a Prefeitura de Santa Helena de Minas, na região do Mucuri. Maria Diva é a atual vice-prefeita da cidade, e dessa vez a disputa é com a irmã, que ocupa o cargo de vereadora.

“O mais importante nessa participação política é que muitos dos Maxakali das aldeias não falam português, então é importante representá-los para podermos correr atrás de políticas públicas para eles”, explica Margarida, que garante que não lamentaria uma vitória da candidatura da irmã.

A cidade tem a pior colocação no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre os 853 municípios mineiros, com o pior PIB per capita e o sexto pior índice de escolarização do Estado. De acordo com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), São João das Missões sofre com problemas como acesso a água, falta de saneamento básico adequado e insegurança alimentar, levando a altas taxas de mortalidade infantil.