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É a Guarda Civil Indígena que controla a entrada principal da aldeia indígena de Umariaçu II, próxima à cidade de Tabatinga (AM). Formado por membros da comunidade, o grupo só permite a entrada de moradores ou visitantes autorizados. Além disso, exige o uso de máscara.

Nessa e em outras aldeias, o isolamento contra a propagação da Covid-19 segue firme. Lideranças relatam que houve medo e escaladas de casos no início da pandemia, mas que, no momento, a situação está controlada. Os indígenas foram incluídos na fase 1 do plano nacional de imunização — junto com idosos, estarão entre os primeiros a serem vacinados.

— O que trouxe aflição foram especialistas falando que a gente era um grupo mais vulnerável — explica Sildonei Mendes da Silva, que era cacique em Umariaçu II no início da pandemia.

 

Houve também um esforço das autoridades para que o atendimento médico fosse feito nas próprias aldeias ou em aldeias próximas, evitando um deslocamento até a zona urbana. O GLOBO acompanhou uma operação conjunta dos ministérios da Saúde e da Defesa em Umariaçu II e na aldeia Campo Alegre. Ambas são da etnia ticuna, uma das mais populosas do país, e ficam na região do Alto Solimões, no estado do Amazonas.

A operação — a 16ª entre os dois ministérios voltada para indígenas — levou 27 profissionais de saúde e três toneladas de remédios e equipamento de proteção para cinco aldeias da região, entre os dias 7 e 14 de dezembro. A previsão era que 16,8 mil indígenas fossem beneficiados, 8 mil com atendimentos diretos. Todos os integrantes da comitiva foram testados antes do embarque.

Luta contra deslocamento

As aldeias vizinhas Umariaçu I e II ficam próximas à cidade de Tabatinga, na fronteira com a Colômbia, e têm fluxo grande de pessoas. Já a aldeia de Campo Alegre, em São Paulo de Olivença, fica distante de centros urbanos e tem acesso difícil. Os deslocamentos são feitos principalmente de barco.

A cacique de Campo Alegre, Luciana Custódio Marques, afirma que “lutou muito” para convencer seu povo a ficar na aldeia. Ao contrário de Umariaçu, o uso de máscara lá era minoritário no dia da visita.

— No começo ficamos assustados. Depois a gente se cuidou — diz a cacique. — Não podia chegar ninguém que não fosse da aldeia, a gente já afastava.

O coordenador regional da Funai no Alto Solimões, Jorge Gerson Baruf, diz que é mais fácil convencer um índio a ir para outra aldeia do que viajar para grandes cidades, principalmente porque eles relatam muito medo dos hospitais:

— É muito mais fácil convencer uma família, um indígena a vir para Umariaçu, onde foi criado um polo de atendimento, do que falar: “Você vai precisar ir para Manaus”.

Alguns indígenas também atuam como médicos ou agentes de saúde. Em Umariaçu, foi criada uma equipe de “farejadores”, como eram chamados, que iam de casa em casa procurando quem tinha sintomas de Covid-19. Trabalho semelhante é feito por um grupo de agentes indígenas de saúde em Campo Alegre.

— Nosso trabalho é visitar as casas todos os dias e ver se estão bem, se estão doentes, se estão se alimentando bem — explica Nedson Cruz, um desses agentes.

Outra estratégia é combinar a medicina tradicional com tratamentos típicos dos povos da Amazônia. Os ticunas, por exemplo, utilizam chá e fumaça extraídos de colmeias de um tipo de abelha preta para prevenir e combater a Covid-19. Eles Eles também aceitam, contudo, receber remédios para tratar dor e febre.

O coordenador do Distrito Sanitário Indígena do Alto Rio Solimões (DSEI), Weydson Pereira, diz que não importa o método se o resultado final foi positivo.

— As aldeias todas utilizaram bastante chá, existe um fumacê da abelha e o nosso atendimento. Quem curou eles? Essas três coisas. O chá, o fumacê e a nossa equipe trabalhando lá — diz Pereira.

fonte: G1