O Núcleo de Estudos em Saúde Indígena (NESI) da Fiocruz Bahia marcou as ações do Abril Indígena com a apresentação dos resultados do estudo multicêntrico de doenças infecciosas em populações indígenas. A cerimônia de encerramento ocorreu no auditório Sônia Andrade, da Fiocruz Bahia, no dia 23/04, com um encontro que celebrou o lançamento do livro “Olhares sobre a Saúde Indígena: Imagens que integram pesquisa e território”. O estudo foi desenvolvido em rede com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) e o Distrito Sanitário Especial Indígena da Bahia (DSEI/BA).

No dia 14/04, o evento realizado no Polo Base de Paulo Afonso, apresentou os dados das atividades realizadas em fevereiro de 2025 sobre agravos como dengue, zika, chikungunya, sífilis e doença de Chagas em diversas populações indígenas do estado. A programação também contou com ações nas localidades de Glória – Aldeia Xucuru-Kariri e Rodelas – Aldeia Tuxá Mãe, realizadas durante os dias 15 e 16/04, respectivamente.

Para o diretor da Fiocruz Bahia, Valdeyer Galvão, a instituição desenvolve um papel abrangente no país, reunindo esforços para estreitar os laços com as comunidades. Ele ressaltou que a Fiocruz atua desde a pesquisa até à produção de medicamentos e assistência, possuindo forte abrangência nacional. “Aqui na Fiocruz Bahia, nós trabalhamos muito fortemente com pesquisa, com a parte de educação, disseminação em saúde e vigilância. Estamos a estruturar esta área no sentido de dar mais contribuições de saúde única”, afirmou o diretor.

Segundo a coordenadora do núcleo e pesquisadora da Fiocruz Bahia, Isadora Siqueira, a programação refletiu o sucesso da parceria com os territórios e a alegria de reunir profissionais da saúde e lideranças para discussões fundamentais sobre a saúde indígena. A pesquisadora também comemorou o lançamento do livro do projeto, fruto da colaboração com o DSEI Bahia e as lideranças indígenas, agradecendo o engajamento de todos os envolvidos.

A entrega destes dados é vista como um compromisso ético fundamental. Ricardo Almeida, da Coordenação Técnica em Saúde do Polo Base Paulo Afonso, pontuou que este retorno é essencial e nem sempre acontece. “Normalmente recebemos projetos que vieram, mas não tivemos esse feedback. Eu acho importantíssimo o retorno, que traz realmente a consagração de um trabalho bem realizado”, explicou Ricardo, ressaltando que a equipe local fez o acompanhamento contínuo dos pacientes ao longo do estudo.

O impacto nas aldeias foi destacado por quem vive o dia-a-dia da comunidade. Almerinda Sátiro, liderança e agente de saúde indígena em Glória (BA), expressou a sua satisfação com a presença dos pesquisadores no território: “Sinto-me muito feliz com a equipe aqui junto com a gente. A gente somando junto é uma aprendizagem para as crianças e também para os adultos”.

A abrangência regional da pesquisa foi reconhecida pela enfermeira do DSEI-BA, Thauara Luz, que explicou a importância das coletas nos municípios contemplados. Segundo ela, o acesso a estas informações é de grande valia para entender o perfil epidemiológico dos territórios indígenas de toda a Bahia.

Esta transparência, de acordo com Camila Padilha, enfermeira da comunidade Tuxá Aldeia Mãe, em Rodelas (BA), também fortalece a adesão popular aos projetos de saúde. “Trazer os resultados dos exames é de extrema importância porque a comunidade às vezes não quer participar. Nossa população acredita mais na instituição que está vindo, o que reforça o compromisso”, avaliou a enfermeira.

A ação contou com também com a realização de atividades de educação e saúde nas Aldeias Xucuru Kariri, em Glória e Tuxá Mãe, em Rodelas, com atividades lúdicas sobre arboviroses e doença de Chagas, além de oficina de pipetagem, levando um pouco da experiência dos laboratórios para os estudantes e toda comunidade.

Além do rigor científico, o respeito nas atividades foi um diferencial citado pela agente de saúde indígena Edivania Tuxá, também de Rodelas (BA), que elogiou o tato da equipe do NESI com os mais novos: “Segurar a atenção desses pequenininhos não é fácil, eu como agente de saúde sei disso”. O convívio respeitoso ficou eternizado no livro lançado no evento, que emocionou participantes como a estudante Maria Heloísa, de Rodelas (BA). Ao folhear a obra, ela resumiu: “Ao ver esta foto, fiquei muito feliz, emocionada, quase chorei. Eu fiquei muito bonita, também achei bonito ver os outros”.

Criado em 2019, o NESI tem como objetivo fortalecer a produção de conhecimento e o desenvolvimento de ações voltadas para a saúde dos povos indígenas, atuando em diversos territórios no estado.