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Com suporte da Funai, evento na TI Coroa Vermelha celebra ancestralidade e reafirma cultura e identidade

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), por meio da Coordenação Regional (CR) Sul da Bahia, apoiou o Anemãwê Juerana 2026 – Festival de Etnovivências Afro-Indígenas, realizado na aldeia indígena Pataxó Juerana, localizada na Terra Indígena (TI) Coroa Vermelha, no município de Porto Seguro (BA). O evento ocorreu nos dias 31 de maio e 1º de junho e, nesta edição, contou com a inauguração do Centro Cultural Kaharã, novo espaço voltado à memória, formação e valorização da cultura Pataxó. 

O evento, que marcou mais um ano de existência da aldeia, reuniu rituais sagrados, vivências culturais, apresentações tradicionais e encontros entre povos indígenas e não indígenas. O festival contou com a participação de moradores da aldeia, lideranças indígenas, visitantes e participantes de diferentes comunidades da região.

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O festival foi promovido pela comunidade indígena local com apoio do Instituto Mãe Terra e da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte do Estado da Bahia (Setre/BA), por meio do Fundo de Promoção do Trabalho Decente (Funtrad). A CR Sul da Bahia também contribuiu para a estruturação das ações e para o acolhimento das pessoas participantes.

O coordenador regional substituto da CR Sul da Bahia, Francisco Paes, destacou a importância do apoio a atividades como o festival Anemãwê para valorização da cultura e da identidade dos povos indígenas da região. “Iniciativas como essa fortalecem a memória, os saberes tradicionais e o protagonismo das comunidades, além de contribuírem para a continuidade das práticas culturais entre as gerações. A atuação da Funai, nesse contexto, busca justamente apoiar e fortalecer essas expressões que são centrais para a vida e para a organização social dos povos indígenas”, destacou.

Festival

O Anemãwê possui significado simbólico profundo e representa um momento de reconexão com a memória ancestral e com a trajetória de luta e resistência da comunidade. A palavra Anemãwê, originária do patxohã, resulta da junção de Anemãvey (casamento) e Mirawê (sagrado), que significa “Casamento Sagrado”.

O nome homenageia a união de Lúcio Nicácio, descendente de quilombolas, e Guiomar Pataxó, indígena da Aldeia Barra Velha, fundadores da Aldeia Juerana, cuja história simboliza o encontro entre culturas afro-indígenas e a construção de um território de identidade, resistência e pertencimento. Em todas as edições do festival, ocorre uma cerimônia de casamento tradicional Pataxó, ato que reafirma o sentido sagrado que deu origem à aldeia e fortalece a transmissão de saberes, rituais e valores culturais entre as gerações.

A Cacica Das Dores, da Aldeia Juerana, explicou o simbolismo do festival para a comunidade: “No Anemãwê reunimos diferentes expressões culturais, como o samba de roda, as apresentações tradicionais e as vivências do povo Pataxó, valorizando tanto as nossas raízes indígenas quanto a herança afro que também faz parte de quem somos. A gente busca fortalecer essa identidade coletiva em todos os aspectos, seja na cultura, nos rituais, nos saberes ou até mesmo na alimentação, unindo tradições como o peixe assado na patioba, típico do nosso povo, com elementos da cultura afro. O festival é, portanto, um espaço de encontro, de memória e de fortalecimento da nossa história.”

Nesta edição, o festival marcou também a inauguração do Centro Cultural Kaharã, voltado à memória, formação e valorização da cultura Pataxó. A inauguração do espaço marca um novo ciclo de fortalecimento cultural na Aldeia Juerana, com previsão de continuidade das atividades voltadas à formação, produção cultural e valorização da identidade indígena ao longo de todo o ano.

Coordenação de Comunicação Social/Funai.