Livro registra visita de Edgar Morin à aldeia indígena no Brasil

As fotografias de Rodolfo Ward mostram um Edgar Morin sorridente enquanto acompanha e participa dos rituais indígenas da etnia Xerente, no estado de Tocantins. Aparece com o rosto e os braços pintados de vermelho e negro, como os membros da tribo, e lambendo os dedos depois de experimentar o paparuto, comida típica indígena composta por massa de mandioca e carne que, envoltas em uma folha de bananeira, permanecem enterradas sob brasas.
Os registros fazem parte do livro Wawekrurê – Distintos Olhares, produzido por Rodolfo e lançado pelas Edições do Senado Federal. As fotografias foram feitas em 2009, quando a Universidade Federal do Tocantins (UFT) sediou o Seminário Internacional Crises Civilizacionais – Distintos Olhares, reunindo um time de intelectuais e pensadores de todo o mundo para discutir o aquecimento global e a crise ambiental. Morin, um dos convidados, teve a oportunidade de visitar duas aldeias e uma comunidade quilombola da região.
“Foi uma festa para os indígenas. Eles apareceram com seus adereços e pinturas e fizeram seus rituais”, conta Rodolfo, que acompanhou como fotógrafo o trajeto de Morin. Segundo ele, aquela foi a primeira visita que o antropólogo francês fez a uma aldeia no Brasil, e suas fotos representam um dos poucos registros existentes da relação de Morin com povos tradicionais.
Com português fluente, Morin conversou com os anciões da tribo e debateu assuntos ligados ao…….
desenvolvimento da etnia. “Falaram sobre a dificuldade dos jovens índios em manter a cultura e a tradição”, relembra Rodolfo. O francês chegou a ser batizado pela tribo, passando a fazer parte de um dos clãs da aldeia. Também recebeu o nome de Wawekrurê, que significa “sábio ancião” em akwén, a língua tradicional do grupo. Rodolfo usou esse nome para batizar seu livro.
Na comunidade quilombola Malhadinha, Morin também foi recebido com festa. Além de aprender as receitas de garapa e paçoca, foi benzido pelo representante espiritual do grupo. Nos intervalos do Seminário, na capital Palmas, não era difícil encontrá-lo arriscando passos de quadrilha e tomando caipirinha. Segundo Rodolfo, ele chegou a trocar um jantar oficial com as autoridades por um lanche com o grupo de dançarinos que se apresentava no local. “Ele teve uma imersão completa, não teve vaidades, se jogou”.
No livro de Rodolfo, que pode ser adquirido no site do Senado Federal, os registros fotográficos são intercalados por um artigo do próprio Morin e por textos de personalidades variadas, como o pesquisador francês Alfredo Pena-Vega e o poeta e crítico literário Francisco Perna Filho.











