Palavras indígenas nomeiam a maior parte das plantas e animais do Brasil
Fenômeno pode ser visto em Cuiabá, no Mato Grosso. Pronúncia de ch e j tem influência da língua Bororo
MANAUS – Que língua é falada no Brasil? Se você disser o português, sua resposta não está completa. Esse é apenas o nosso idioma oficial. Existem, aqui, mais de 200 línguas indígenas registradas, das quais 180 são faladas até hoje. Além disso, as línguas indígenas têm importantes contribuições e influências que ainda fazem modificações na nossa forma de falar o português.
De acordo com a professora Ana Suelly Cabral, pesquisadora das línguas indígenas, cerca de 80% das palavras que nomeiam as plantas e bichos brasileiros são oriundas do Tupinambá, o mais conhecido idioma nacional nativo. Aliás, o tronco Tupi é um dos grandes agrupamentos linguísticos do Brasil. São sete famílias de línguas: Arikém (1 língua), Juruna (1 língua), Mondé (7 línguas), Mundurukú (2 línguas), Ramaráma (2 línguas), Tuparí (3 línguas), Tupi-Guarani (21 línguas). Há ainda trêslínguas isoladas no nível de família: Aweti, Puruborá e Sateré-Mawé. Considerando que o total de línguas indígenas no Brasil é de 180, o tronco Tupi reúne 40 línguas, o que corresponde a 22,2 % do total.
De acordo com a professora, quando os colonizadores europeus chegaram aqui, eles não conheciam a enorme variedade da fauna e flora brasileiras. Os índios é que foram apresentando e dando nome aos animais, como por exemplo a capivara, o tamanduá, a cutia, o pirarucú, o jabuti; e às frutas, como o cacau e o cajá.
Coordenador da Funai denuncia crise na saúde indígena no AM
Índios moradores da região do Alto Rio Negro, no Amazonas, denunciam uma crise na área da saúde.
Segundo Marivelton Barroso, da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, mesmo com um orçamento de mais de R$ 7 milhões destinados ao Distrito Sanitário Especial Indígena da região, faltam medicamentos, médicos e infraestrutura de atendimento.
O coordenador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), Domingos Barreto, confirma a situação de abandono da saúde indígena e denuncia o alastramento da malária entre os índios.
A região do Alto Rio Negro abrange os municípios de São Gabriel da Cachoeira, Santa Izabel do Rio Negro e Barcelos e é atendida pelo Distrito Especial de Saúde Indígena – DSEI Alto Rio Negro.
Em nota, o Ministério da Saúde nega que a localidade esteja desatendida. A pasta esclarece que existem, atualmente, 50 equipes multiprofissionais de saúde indígena e 22 médicos atendendo diretamente nas aldeias.
O ministério confirma apenas falta provisória de alguns medicamentos específicos, mas a aquisição já se encontra em curso.
A Secretaria Especial de Saúde Indígena destaca o repasse ao DSEI de mais de R$ 7 milhões, em 2015. O valor inclui diárias, material de consumo, obras, mão de obra e locomoção de equipes e indígenas, que foi integralmente executado.
Inclusão – Jogo de videogame brasileiro destaca cultura indígena
O projeto foi elaborado por antropólogos, programadores visuais e integrantes do povo Caxinauá
A partir de abril, fãs de videogame vão poder conhecer um jogo bem diferente dos convencionais e genuinamente brasileiro. Com índios e flechas, o jogo “Huni Kuin – os caminhos da jiboia” vai trazer elementos da floresta amazônica. O projeto foi elaborado por antropólogos, programadores visuais e integrantes do povo Caxinauá.
O videogame permite a experiência de entrar na história, nos mitos e nos contos de um povo indígena. O projeto teve 30 integrantes do grupo Caxinauá, que tem a maior população indígena do Acre. São 7.500 habitantes de acordo com a Fundação Nacional da Saúde (Funasa). “Foram trabalhadas cinco histórias que são cada uma das fases e, em cada uma, tem um segredo desse povo que você vai descobrindo aos poucos”, explica o antropólogo Guilherme Meneses.Meneses conta que realizou uma pesquisa inicial por seis meses, depois encontrou os índios da tribo Huni Kuin em São Paulo (SP), até chegar na aldeia. Ele explica que toda a história foi construída coletivamente com os indígenas. Uma parte na aldeia e outra no estúdio em São Paulo. A intenção é que o jogo possa circular e atingir muitas pessoas pelo país e, assim, ser uma nova forma de conhecer a cultura indígena.
Mutirão realiza emissão gratuita de identidade para indígenas
Os Tupinambá de Olivença, são beneficiados com ações do ” Sac Móvel Indígena”, através do instituto Ação Bahia.
Durante a ação, realizada pela Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) em parceria com a Defensoria Pública do município, serão emitidas gratuitamente 500 novas carteiras de identidades para indígenas da cidade.
A ação é realizada na sede da Defensoria Pública e tem como objetivo identificar o número de indígenas que ainda não possuem a carteira de identidade e estão impedidos de acessarem diversos serviços e benefícios, principalmente sociais.
Cine Kurumin traz a Salvador cineastas indígenas
O Cine Kurumin, já em sua quinta edição, chega pela primeira vez a Salvador no Palacete das Artes, com a exibição de temática indígena. Dez convidados – dentre eles oito cineastas indígenas – são o centro das atenções. A abertura foi na sexta-feira, 4, às 15 horas, com a apresentação de Já Me Transformei em Imagem, de Zezinho Yube, do Acre, que mostra a realidade da etnia Huni Kuin.
Na programação da mostra, Ete Londres mostra a viagem feita pelo cineasta indígena Takumã Kuikuro (Mato Grosso) a Londres e faz um registro da “sociedade ocidental e suas muitas tribos escondidas sob os arranha-céus”. Davi Kopenawa Yanomami, uma das mais respeitadas lideranças indígenas do país, que estaria presente, virá a Salvador somente em abril para uma conferência e lançamento do livro A Queda do Céu (Cia das Letras).
ONU volta ao Brasil para investigar violação de direitos indígenas
Povo Tupinambá de Olivença do sul da Bahia
Genebra (RV) – Após oito anos, a ONU volta a investigar a violação dos direitos humanos no Brasil. A Relatora Especial das Nações Unidas sobre os direitos dos povos indígenas, Victoria Tauli-Corpuz, visitará o Brasil entre 7 e 17 de março para identificar e avaliar as principais questões enfrentadas pelos índios brasileiros.
“Enquanto a população indígena no Brasil é relativamente pequena, os desafios que ela enfrenta, no momento, são imensos. Espero que esta visita contribua para trazer à tona algumas das preocupações e ajude na resolução de questões de longa data”, declarou.
A última visita de um relator especial para as questões indígenas da ONU ao Brasil foi em 2008.
Arqueiros indígenas vão a torneios no exterior e sonham com Olimpíada
Na infância, Iagoara aprendeu com os tios a usar pedaços de itaúba, bacabeira, palmeira ou pau-brasil para montar seu brinquedo preferido. “Tira um pedaço, corta, pega uma corda, enverga, e já vai tomando a forma de arco”, explica o ribeirinho de 19 anos, que cresceu em uma comunidade a 60 quilômetros de Manaus, na margem esquerda do Rio Negro. Qualificado para disputar uma das vagas da equipe de tiro com arco que representará o Brasil na Olimpíada, ele treina com mais cinco atletas de origem indígena e vê nas suas raízes o gosto pelo esporte.
“Na comunidade, todo mundo sabe atirar [com arco nativo]. É uma brincadeira que todo mundo gosta e que está no nosso sangue. O arco e flecha vem dos nativos”, lembra o atleta, que atende também pelo nome de Drean Braga da Silva, mas tem orgulho do nome indígena escolhido por seu avô: “Significa cachorro. Foi meu avô que escolheu, porque eu gostava de andar muito sozinho no mato. Tem gente que diz que o nome é inadequado, mas estou pouco ligando para isso”. :: LEIA MAIS »
Ativista indígena de Honduras é assassinada a tiros em sua casa
O irmão e a mãe de Berta Cáceres, cobraram garantias de segurança do Governo para proteção de testemunhas e familiares, após o assassinato da líder indígena.
A líder indígena, da etnia lenca, já havia recebido inúmeras ameaças de morte por defender as lutas de seu povo, liderar manifestações pelo meio ambiente, contra a construção de hidrelétricas, e, também, por encabeçar os protestos de 2009 contra o golpe de Estado que derrubou o então Presidente Manuel Zelaya. Em 2013, a ativista também ficou mais conhecida por denunciar os planos dos Estados Unidos de instalar em Honduras a maior base militar norte-americana em toda a América Latina. Em suas declarações, ela afirmava que a instalação seria “um projeto de dominação e colonização com o propósito de saquear os recursos dos bens comuns da natureza” naquela nação da América Central. :: LEIA MAIS »
Pesquisa revela nível alto de mercúrio em índios de área Yanomami em RR
Pesquisa revelou alta concentração de mercúrio em índios Yanomami e Ye’kuana (Foto: Divulgação/Marcos Wesley de Oliveira/ISA)
Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sobre contaminação por mercúrio em índios da Terra Indígena Yanomami, no Norte de Roraima, revela que povos das etnias Yanomami e Ye’kuana têm sido extremamente atingidos, principalmente mulheres e crianças. O nível alto de mercúrio nas pessoas estudadas chega a 92,3%, conforme a pesquisa. Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (3) nas comunidades.
A pesquisa usou amostras de cabelos de índios que vivem nas comunidades Papiú, Waikás e Aracaçá, regiões onde há grande exploração de garimpo ilegal de ouro. Os resultados serão apresentados aos órgãos fiscalizadores, ambientais e aos responsáveis pela saúde indígena.























